quarta-feira, 18 de março de 2015


As ruínas de Tróia nas origens da Arqueologia portuguesa

Tendo andado às voltas nos últimos dias com um texto para a próxima revista do Museu Nacional de Arqueologia ("O Arqueólogo Português") sobre António Cavaleiro Paixão, um arqueólogo recentemente desaparecido (1939-2014), foi inevitável recordar o seu envolvimento directo no estudo das ruínas de Tróia, a que esteve ligado como colaborador de Fernando de Almeida, professor catedrático de Faculdade de Letras de Lisboa e Director do Museu Nacional de Arqueologia nos anos 60 e 70. Cavaleiro Paixão, após a licenciatura, com uma tese sobre a necrópole proto-histórica de Alcácer do Sal, esteve algum tempo em Moçambique (1971-74) lecionando cadeiras de arqueologia e história antiga na então recém criada Universidade de Lourenço Marques. Regressado a Portugal em Setembro de 1974, num período certamente complicado da sua vida, é contratado por indicação de Fernando de Almeida, pela Lusotur, (entidade na altura proprietária do empreendimento turístico Torralta e, consequentemente das próprias ruínas romanas) para assegurar o estudo e a valorização destas, no contexto dos projectos turísticos para a zona. As condições sociais, económicas e políticas, porém, ainda eram pouco propícias e esse contrato teve curta duração, tendo António C.Paixão acabado por ser mais tarde integrado nos quadros da Direcção Geral do Património Cultural entretanto criada no contexto da Secretaria de Estado da Cultura, onde se encarregou regularmente do complexo "dossier" de Tróia.  Já depois de eu próprio ter protagonizado nos anos 80 mais uma tentativa frustrada de intervenção em Tróia, no âmbito das minhas funções directivas no IPPC, escrevi há 20 anos um texto sobre Tróia no Diário de Notícias (14 de Dezembro de 1995- não editado na colectânea de ACS e LR, A Linguagem das Coias, Europa-América, 1996) que felizmente se encontra muito desactualizado nas suas considerações finais mas que não resisto a reproduzir. Com efeito, nos últimos anos, graças a um projecto liderado pela arqueóloga Inês Vaz Pinto, contratada pela actual concessionária (Sonae Turismo), o sítio romano é já hoje um exemplo muito positivo de aposta num turismo cultural de qualidade conforme se pode comprovar "in loco", ou se tal não for possível "in situ" via INTERNET:


http://www.troiaresort.pt/pt/troia-ruinas/


António Cavaleiro Paixão, à direita ainda como estudante, acompanhando o conhecido pré-historiador francês Abée Glory, durante os trabalhos que este último efectuou na Gruta do Escoural em Janeiro de 1965.








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